Nossa História

Novo milênio, inquietação crescente por transformações sociais, econômicas e ambientais. Recém-formados em cinema, um grupo de jovens se mobiliza em busca da acessibilidade ao que fazem: filmes. 

A partir do poder transformador do Cinema, dialogamos, levantamos questões, interagimos com outras linguagens. Sabíamos que se expressar através dele era uma forma tão completa quanto complexa. Não sabíamos ainda, no entanto, que aquele projeto nos faria tomar parte de um movimento maior de democratização e que, por mais que fossem pequenas as nossas pretensões, ele se tornaria vivo e se expandiria mesmo a nossa revelia.

Naquela época, longe da grande democratização dos meios audiovisuais, em que o termo novas mídias nem havia sido criado, imaginamos instrumentalizar adolescentes à linguagem do cinema como forma de exercício da criatividade, de refletir e debater suas questões e principalmente, para aproximar as pessoas do cinema feito no Brasil.

Cinemaneiro – Oficinas e Exibição de Filmes teve sua primeira edição em 2002, com 100 jovens da Maré, Cidade de Deus, Manguinhos e Bonsucesso. No ano seguinte, mais 150 jovens participaram das oficinas, produziram e debateram filmes, e exibiram gratuitamente, para a sua comunidade, filmes brasileiros de curta metragem. Em 2004, mais 200 jovens se agregaram aos cursos e já havíamos ministrado aulas para pessoas de 18 comunidades e exibido filmes para cerca de 10 mil pessoas.

A troca vem sendo intensa desde então. Os participantes queriam trocar mais e importantes parcerias foram consolidadas. Vivências, estágios, cursos técnicos foram viabilizados, mas havia mais. Inúmeros projetos criados, apresentados, ideias, roteiros, cineclubes, propostas das mais diversas. 

Em novembro de 2005, as experiências profissionais e de vida de todos os envolvidos deram vida à associação que chamamos Cidadela, por ser o espaço, o refúgio, o lugar de convergência em que brotam as ideias, os projetos e os frutos gerados pelo coletivo.

Nunca paramos, continuamos interagindo com gente nova, gente boa, labutadora. Muitos estão distantes, é verdade. Mas nosso radar avisa que bem e cinemeando por aí. 

Seguimos firmes, pensando no país, no mundo que queremos Com “a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo” (*)

(*) Walter Franco